Ele desperta e percebe que o chinelo continua sobre o tapete, o relógio marcando 05h32min, o corpo ao lado sem nada sobre a pele se revirando entre os lençóis. Ela acorda e percebe a mesmice estampada no bom dia, no tom morno daquele beijo fraterno que recebera. Tudo isso se repetia todos os dias, mas é questão de tempo!
Ela respirou fundo e olhou a sua volta, se deparou com um porta retrato com rostos impressos. Impressões de um dia feliz onde pensou que pudesse ser eternizado pelo flash. Nunca passou pela sua cabeça que quatro anos depois daquele click, eles estariam juntos, num ambiente frio e vazio separando todas as coisas e guardando em caixas de papelão. A música que tocava num velho rádio de pilha não fazia mais sentido algum e dentro das caixas havia resquícios do que até ontem era vida.
A felicidade acabou no exercício burro de repetição dos minutos, horas, dias, semanas, meses e anos, impressos em fotografias amareladas.
E lá estavam os dois, desconstruindo o apartamento dentro e fora de si mesmo, em cada detalhe que desmontavam havia um pedaço de vida a dois. Não havia diálogo, somente sonhos encaixotados e lâmpadas apagadas.
Respirou fundo e bateu a porta.
